Cobertura por país

Secundárias de startups na Argentina

A Argentina tem o talento tecnológico mais profundo da região e o encanamento de capital mais complicado. Seu mercado secundário existe — só não mora na Argentina.

Edifício de escritórios, sede de empresas latino-americanas apoiadas por venture capital

Um ecossistema de duas vias

Nenhum país da América Latina produziu mais empresas de tecnologia de escala global per capita: MercadoLibre e Globant são a prova listada, e atrás delas há um banco privado liderado por Ualá — avaliada em cerca de US$2,8 bilhões após a extensão da Série E em 2025 — e Tiendanube/Nuvemshop, que alcançou US$3,1 bilhões na rodada de 2021, além de nomes mais jovens comoPomelo e Mural. O caos macro argentino nunca deteve seus fundadores; apenas mudou onde suas empresas moram juridicamente.

Por que as secundárias argentinas passam por Delaware

O fato estrutural que define tudo: as startups argentinas constituem quase universalmente uma holding estrangeira — Delaware como padrão — com a entidade argentina como subsidiária operacional. Investidores internacionais passaram a exigir isso após décadas de controles cambiais e volatilidade jurídica, e isso silenciosamente torna as secundárias mais fáceis: comprar participação numa startup "argentina" geralmente significa comprar ações de uma holding americana ou offshore sob direito conhecido, sem nenhuma formalidade de transferência argentina. Os controles cambiais do país (ocepo) — substancialmente flexibilizados no programa de reformas atual, mas historicamente rígidos — são a outra metade da história: explicam por que o produto das vendas também tende a ficar offshore.

Investidores negociando uma transação em uma sala de reuniões

Impostos, em resumo

Para pessoas físicas residentes na Argentina, ganhos com venda de ações são em geral tributados à alíquota fixa de 15%, com a análise complicada pelas regras de ajuste monetário e por serem as ações vendidas locais ou da holding estrangeira; não residentes que vendem ações argentinas têm regime próprio de retenção. Como a maioria das operações acontece no nível da holding offshore, a questão tributária prática costuma ser primeiro americana ou de tratado, e argentina depois. Confirme as regras vigentes com um assessor tributário argentino — poucos cenários fiscais mudam tão rápido quanto este.

Perguntas frequentes

Existe um mercado de secundárias para startups argentinas?
A atividade existe, mas corre majoritariamente por holdings estrangeiras. As startups argentinas costumam constituir uma holding em Delaware ou outra jurisdição offshore, então uma "secundária em uma startup argentina" geralmente é a compra de ações da holding estrangeira — o que torna essas operações viáveis para compradores internacionais.
Por que as startups argentinas se constituem no exterior?
Décadas de controles cambiais, inflação e volatilidade jurídica levaram os investidores internacionais a exigir estruturas holding offshore como condição de financiamento. A empresa operacional fica na Argentina; as ações que são negociadas — primárias ou secundárias — costumam ser as da holding.
Como os controles de capital argentinos afetam as secundárias?
O "cepo" cambial historicamente complicou mover o produto de uma venda de e para a Argentina, mais um motivo pelo qual as transações acontecem no nível da holding offshore. Os controles foram substancialmente flexibilizados no programa de reformas atual, mas as regras mudam rápido — verifique o regime vigente antes de estruturar uma operação.
Quais nomes argentinos importam para quem acompanha secundárias?
Ualá (fintech, ~US$2,8 bilhões após a rodada de 2025) e Tiendanube/Nuvemshop (e-commerce, US$3,1 bilhões na rodada de pico de 2021) lideram o banco privado, com empresas como Pomelo e Mural atrás — tendo como pano de fundo MercadoLibre e Globant, a prova listada de que empresas argentinas alcançam escala global.