O Brasil é o maior e mais ativo mercado de secundárias de venture capital da América Latina. Veja o que fundadores, funcionários iniciais e investidores precisam saber.
Por que o Brasil lidera a região
O ecossistema de startups do Brasil tem o histórico mais longo e o maior número de empresas antigas o suficiente para gerar demanda secundária: fundadores e funcionários iniciais que estão há seis, oito ou dez anos com sua participação sem um evento de saída. Esse acúmulo é exatamente o que um mercado de secundárias existe para destravar.
Em 2025, Spectra e Beacon publicaram o relatório State of the Startup Secondaries Market in Brazil, o primeiro estudo a dimensionar e documentar o mercado formalmente. Ele confirmou o que já se via de forma anedótica no fluxo de operações de fundos: as secundárias brasileiras são uma categoria real e em crescimento, não uma atividade marginal.
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Como funciona uma transação secundária brasileira
Uma venda secundária costuma começar com um acionista existente — um funcionário inicial, um investidor seed ou um fundador — que busca vender parte ou toda a sua participação fora de uma rodada formal de captação. Um comprador, muitas vezes um fundo de secundárias ou um investidor de estágio de crescimento, negocia o preço diretamente com o vendedor, sujeito às restrições de transferência e ao direito de preferência da empresa.
Regras e impostos, em resumo
As transferências de participações em empresas privadas no Brasil são regidas pelos documentos societários — e o tipo societário importa. A maioria das startups nasce comolimitada (Ltda.), em que transferir quotas pode exigir alteração do contrato social e aprovação dos sócios, e se converte em S.A. ao captar capital institucional, o que torna as transferências mais simples, ainda que sujeitas às restrições do acordo de acionistas, como direito de preferência e tag-along. O regulador de valores mobiliários, aCVM, supervisiona ofertas públicas, não transferências privadas — embora as regras de crowdfunding (Resolução 88) tenham aberto caminho para plataformas autorizadas hospedarem transações secundárias de valores emitidos via crowdfunding.
No campo tributário, pessoas físicas pagam imposto sobre ganho de capital em alíquotas progressivas — 15% sobre ganhos de até R$5 milhões, chegando a 22,5% em ganhos muito grandes — geralmente apurado e pago no mês seguinte à venda. Não residentes que vendem participações brasileiras também estão no alcance do fisco, normalmente via retenção. Confirme sempre o tratamento vigente com um assessor tributário brasileiro; isto é orientação, não aconselhamento.
Nomes e operações para conhecer
A referência que todo detentor brasileiro conhece é o Nubank: sua listagem na NYSE em 2021, avaliada em ~US$41 bilhões, transformou os primeiros cheques-anjo nos retornos de venture mais famosos da região. Atrás dele há uma geração de unicórnios —QuintoAndar, Creditas, Loft, Wildlife Studios, EBANX — já maduros o suficiente para que funcionários iniciais e investidores seed busquem liquidez ativamente. Do lado comprador, a paulistana Spectra Investments é a investidora dedicada de secundárias mais conhecida da região (e coautora do primeiro estudo formal do mercado), enquanto a Patria Investments explorou publicamente veículos de continuação para segurar seus "campeões" brasileiros por mais tempo. As transações recentes estão registradas com fontes no Monitor de Operações Secundárias.
Perguntas frequentes
Existe um mercado de secundárias para as startups brasileiras?
Sim. O Brasil é o maior e mais ativo mercado de secundárias da América Latina. Spectra e Beacon publicaram em 2025 o primeiro estudo dedicado ao mercado de secundárias de startups brasileiras, documentando formalmente uma demanda que antes só aparecia de forma anedótica no fluxo de operações de fundos e escritórios de advocacia.
Quem compra e vende secundárias de startups no Brasil?
Os vendedores costumam ser funcionários iniciais, fundadores e investidores das rodadas seed ou Série A em busca de liquidez antes de um IPO ou aquisição. Os compradores incluem fundos de secundárias dedicados, investidores de estágio de crescimento que adicionam exposição a empresas que perderam em rodadas anteriores, e family offices.
Qual estágio de empresa concentra a maior atividade secundária no Brasil?
As startups brasileiras mais consolidadas e de estágio avançado, com várias rodadas de captação já realizadas, tendem a atrair o maior interesse secundário, pois há histórico e estrutura de capital suficientes para um comprador avaliar a operação.
Como são tributados os ganhos de uma venda secundária no Brasil?
Pessoas físicas geralmente pagam imposto sobre ganho de capital em alíquotas progressivas: 15% sobre ganhos de até R$5 milhões, chegando a 22,5% em ganhos muito grandes, apurado e pago até o fim do mês seguinte à venda. Não residentes costumam ser tributados via retenção. Confirme os detalhes com um assessor tributário brasileiro.